Palavras ao Mar

Nesta obra comovente, o artista indonésio Eko Saputra convida-nos a refletir sobre os significados e as implicações das descobertas. Para além dos contos das navegações coloniais em direção ao Oriente e pelo Sul Global, Eko narra as transições da descoberta através do afeto, distanciando-a de um percurso fortuito e sedutor, em direção à busca ativa de si e do pertencimento. Entre os traços sonoros e visuais de memórias passadas e contemporâneas, e de experiências individuais e partilhadas da herança colonial, somos chamados a sentir e a encontrar por nós próprios o que foi deixado para trás.

Refletindo particularmente sobre a passagem relativamente esquecida dos portugueses pelo arquipélago indonésio no século XVI, e sobre as dificuldades do artista em encontrar esses vestígios hoje nos arquivos e coleções portuguesas, Flavours that have been forgotten instiga-nos a recordar e a reconectar-nos com o passado através dos ecos das pessoas, lugares e objetos (incluindo as tão desejadas especiarias orientais) que permanecem dispersos, deslocados e até mesmo mal rotulados, aqui e ali.

Eko Saputra é artista visual e investigador especializado em património cultural e território. Explora continuamente temas de apego ao lugar, ansiedade tecnológica e pertença através do seu trabalho. A sua abordagem baseia-se em práticas interdisciplinares para reinterpretar criativamente contextos históricos e culturais que conectam as humanidades digitais às narrativas culturais. Eko reside atualmente em Veneza, na Itália, como membro da diáspora indonésia.

Agradecemos o apoio do nosso parceiro, o Museu Nacional de História Natural e Ciência (MUHNAC), e dos seus curadores e diretores, no desenvolvimento desta obra comissionada.

Curadoria
Lia Carreira

Design e Desenvolvimento de Exposição
Rafael Gonçalves

Esta exposição online faz parte da programação do PdBA Lisboa de 2024/5, Espacialidades Digitais, realizada com apoio da República Portuguesa - Cultura / DGARTES – Direção-Geral das Artes.

Palavras ao Mar
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Dioguina Dioguina Dioguina Dioguina Dioguina
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Rosa Rosatelli

8 de Abril de 1924

vou indo regular, sempre acanhada por ter estado morando em casa dos outros. Por isso não tinha muito sossego, porque não estava à minha vontade. Você sabe muito bem o meu gênio: não sei morar em casa dos outros. Embora passe bem, não tenho a minha liberdade.

Dioguina

10 de Maio 1919
(São Paulo, BR)

Descrição da carta...

Clotilde Duarte Gomes

26 de Julho 1918
(Rio Grande do Sul, BR)

Meu querido pai, quero lhe contar que me casei no dia vinte e cinco com o Cândido de Souza Gomes. Melhor marido não podia ser. Ele é muito bom moço para mim. Até foi uma sorte, porque agora estou amparada e deixei de andar desamparada longe de meus pais.

Ernestina dos Anjos Pinta

29 de Julho de 1912
(São Paulo, BR)

Minha querida mãe, Essas coisas que tem por aí, venda-as ou faça delas o que quiser, porque logo que vier para o pé de mim já não precisa delas. Venha sem receio nenhum — e venha já depressa, porque aqui não lhe falta que fazer, nem de comer.

Luli

16 de janeiro 1912
(São Paulo, BR)

Mamãe vai encontrar aqui muita tristeza e muita coisa que não espera. Esse era o principal motivo por que eu não queria que mamãe viesse sofrer junto conosco.Por maior que seja a alegria de nos vermos outra vez, as decepções serão muito maiores.

Elvira Lopes

16 de janeiro 1912
(São Paulo, BR)

Do que tenho em casa do tio José Lopes, traz a roupa que estiver boa. A que não estiver, dá aos pobres por alma dos nossos pais. Eu queria que me comprasses aí uma colcha de lã de felpa, da cor que a madrinha preferir. Mano, no fim deste mês aqui te mandaremos as passagens para ti e para o meu sogro.

Luisa Mello

10 de fevereiro, 2026

Eu me deparei por acaso com o seu documento de imigração, emitido pela República dos Estados Unidos do Brasil. Foi a primeira vez que coloquei os olhos em um visto de residência de um imigrante português.

Maria do Carmo

15 de janeiro de 1914
(São Paulo, BR)

A sua última carta trouxe-me alento. Vivo sempre na expectativa de notícias de Portugal e, principalmente, suas. Desejo que me seja possível receber do senhor as mais longas e satisfatórias informações, para não viver um tanto sobressaltada por estar tão longe.

Ismenia L de Brito

3 de agosto de 1925
(Rio Grande do Sul, BR)

Do que tenho em casa do tio José Lopes, traz a roupa que estiver boa. A que não estiver, dá aos pobres por alma dos nossos pais. Eu queria que me comprasses aí uma colcha de lã de felpa, da cor que a madrinha preferir. Mano, no fim deste mês aqui te mandaremos as passagens para ti e para o meu sogro.

Maria Augusta Pinto

20 de Setembro 1913
(São Paulo, BR)

Minha querida mãe,Vossa mercê não tenha medo do vapor. O navio é como uma casa, com bons quartos e lugar para se distrair. Vossa mercê não vem para trabalhar, é para estar em casa. E, se quiser voltar, pode. Aqui estamos muito fartos: temos vacas, dois bois, porcos e bastantes galinhas e frangos, mais do que aí tínhamos.

Maria do Rosário

5 de Maio de 1913

Aqui estou vivendo com os maiores amigos. Mesmo assim tenho que andar debaixo do pé deles, porque é triste quem aqui não tem ninguém. Custa-me muito aguentar a saudade da senhora, assim como a senhora deve sentir o mesmo por mim, porque é minha mãe. Se me tem alguma amizade, venha sem demora.

Rosa Rosatelli

8 de Abril de 1924

vou indo regular, sempre acanhada por ter estado morando em casa dos outros. Por isso não tinha muito sossego, porque não estava à minha vontade. Você sabe muito bem o meu gênio: não sei morar em casa dos outros. Embora passe bem, não tenho a minha liberdade.